POSSÍVEL RETORNO

Alunos reclamam de volta às aulas presenciais em cursos de Saúde da PUC

Estudantes também questionam preços das mensalidades e inflexibilidade nas negociações


Joao Paulo Alexandre
Do Mais Goiás | Em: 29/05/2020 às 19:34:42

Alunos reclamam de possível volta de aulas presenciais em curso das Saúde da PUC Goiás (Foto: Reprodução / PUC-GO)
Alunos reclamam de possível volta de aulas presenciais em curso das Saúde da PUC Goiás (Foto: Reprodução / PUC-GO)

Alunos da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás) reclamam da possível volta às aulas presenciais de cursos da área da Saúde em plena pandemia. Eles temem o retorno do ensino local com o aumento de número de casos confirmados do Covid-19 em Goiás.

Além disso, os estudantes não teriam condições de participarem das aulas, já que muitos moram em outras cidades – onde o transporte escolar não está em funcionamento – ou necessitam do passe livre estudantil, que foi suspenso por causa da pandemia.

Uma outra reclamação que se repete é sobre o preço das mensalidades dos cursos da universidades durante a pandemia. Segundo Miguel Filipe Barbiero, coordenador-geral do Centro Acadêmico de Direito da instituição, muitos estudantes tiveram que trancar a graduação por causa do orçamento familiar ter sido prejudicado devido à pandemia. Mas, além disso, segundo ele, a faculdade não estaria facilitando as negociações.

“Eles estão sendo muito inflexíveis. A universidade prega os princípios filantrópicos, mas não segue os princípios básicos dela. Não está sendo empática com os alunos. Muitas pessoas não conseguem trancar o curso pela taxa e não estão sendo poupados de juros e multas nas negociações”,  destaca.

Segundo ele, dois ofícios já foram encaminhados à reitoria da instituição. Um deles datado no último dia 15 de maio. Entre os pedidos, está a redução do valor da mensalidade, perdão das dívidas causadas no período da pandemia, que não sejam cobrados juros e multas nos valores da mensalidades e que não haja demissões ou suspensões de professores e funcionários para justificar tomadas de tais atitudes. “Apesar disso, não fomos respondidos oficialmente até o momento”, destaca.

Muitas reclamações

De acordo com a coordenadora-geral do Diretório Central de Estudantes (DCE) da PUC Goiás, Larissa Rizelli, desde que houve a paralisação das aulas, estima-se que cerca de mil reclamações chegaram ao local, por meio dos centros acadêmicos e atléticas. “A gente sente que, nesse período de pandemia, a universidade não está disposta a dialogar. E notamos que muitos alunos estão recebendo um ensino inferior ao o que foi contratado”, afirma.

Além disso, ela conta que houve um reunião com a pró-reitoria de graduação da universidade. A resposta obtida era que a PUC Goiás disponibilizaria um canal para facilitar a negociação já que, em outro momento, se cogitou a análise de caso a caso para que a instituição tomasse uma providência. “Mas as pessoas que acessam esse canal nunca obtiveram um solução”, destaca.

Larissa relata, ainda, que vê com tristeza toda essa situação. “Sabemos que muitos destes alunos são a primeira geração da família a ingressar no ensino superior e nós prezamos pela permanência deles. Quando um aluno vai bem em uma pesquisa e extensão, ele leva o nome da universidade. Agora que é o momento de ter uma contrapartida, não está tendo”, pontua.

Relato

Isadora de Faria Reis, de 18 anos, teve que interromper o sonho de ser formar em Direito já no primeiro período. Ela conta que decidiu trancar o curso pelo fato da situação financeira da casa estar incerta e pelas aulas remotas. “Eu senti que estava perdendo muita coisa. Não estava satisfeita com o método. Eu sei que os professores são gabaritados, mas uma aula online é totalmente diferente da presencial. Aqui em casa, além de mim, a minha irmã também entrou na faculdade e isso pesa para os meus pais”, destaca.

A mensalidade, de R$ 1,4 mil, é paga de maneira integral. Ela conta que mesmo com esse alto valor enfrentou certos empecilhos para trancar o curso. “Na verdade, eu tive que fechar a minha matrícula. Não me deram a oportunidade de trancar. Com isso, eu terei que fazer o vestibular novamente ou utilizar a nota no meu Enem”, explica.

Relatos como da Isadora estão sendo expostos na página do Instagram, ReduzPUCGoiás. A iniciativa foi tomada pelo Centro Acadêmico de Direito, mas são depoimentos de alunos de vários outros cursos sobre a situação que estão vivenciando, nesse período de quarentena, e o descontentamento com a universidade.

O Mais Goiás entrou em contato com a PUC Goiás e aguarda um posicionamento sobre o assunto.