Justiça

Alunos e professores entram com processo contra o Google e pedem retirada de definição de professora como ‘prostituta’

Em ação na Justiça, estudantes e professores alegam que definição fere a imagem da mulher e a dignidade humana. Significado gerou polêmica e movimentou as redes sociais nesta terça-feira (22)


Jessica Santos
Do Mais Goiás | Em: 23/10/2019 às 10:42:03

Alunos e professores da PUC entraram na Justiça contra o Google para pedir a retirada da definição de professora como ‘prostituta’ no site de buscas. (Foto: Reprodução)
Alunos e professores da PUC entraram na Justiça contra o Google para pedir a retirada da definição de professora como ‘prostituta’ no site de buscas. (Foto: Reprodução)

Alunos e professores do curso de Direito da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO) entraram na Justiça contra a empresa Google para pedir a retirada da definição de professora como ‘prostituta’ no site de buscas da companhia. Significado gerou polêmica e movimentou as redes sociais nesta terça-feira (22).

A ação, elaborada por dez alunos sob a supervisão do professor e presidente da Comissão de Direito Civil da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/GO), Clodoaldo Moreira Junior, foi protocolada no juizado especial cível de Goiânia ainda na terça (22). O advogado explica que o objetivo da ação é obrigar a Google Brasil a retirar a informação pejorativa às professoras do país.

“No Google, ao pesquisar a palavra professora, o usuário vai encontrar a definição ‘prostituta com quem adolescentes se iniciam na vida sexual’. No caso de professor, você encontra ‘aquele que ensina, ministra aulas’”, disse.

Para Clodoaldo, a empresa precisa ter cuidado com as informações que publiciza. “A Google alega que utiliza dicionários como base para tais definições. Todavia, os dicionários não fazem essa definição pejorativa. A profissão de professora deve ser tida como uma figura de respeito e não depreciativa. Esperamos que o poder judiciário determine a suspensão da frase que ofende a honra das professoras”, afirma.

Na ação, os alunos sustentam que o Google é uma empresa multinacional com vasta influência no processo de definição do pensamento dos indivíduos, “sendo incabível a publicação e divulgação do termo professora de forma tão pejorativa e aviltante”.

Segundo a estudante Leticia Braz Pereira, a definição já começou a ser motivo de piadas, chacotas e ataques pessoais na internet. “Nossa finalidade é defender a classe de mulheres professoras. A gente sabe o quanto é difícil se estabelecer como mulher na sociedade e como mulher professora. Essas profissionais marcam a vida acadêmica de todo estudante desde o início. Elas são fundamentais para que tudo ocorra”, ressaltou.

Discriminação

A iniciativa da ação foi do professor e teve rápida aceitação dos estudantes. “Diante do absurdo, gerou uma comoção entre alunos e professores. Os estudantes ficaram motivados e elaboraram, rapidamente, a petição inicial para assegurar a dignidade da pessoa humana”.

Além do professor, outros dois docentes assinaram a ação. Ao todo, dez alunos auxiliaram na criação da petição. No documento, eles alegam que a definição fere a imagem da mulher, que “após um passado de muitas lutas, conseguiu ver seus direitos reconhecidos, não obstante ainda serem alvos de discriminação”.

“Atribuir à imagem de uma professora a qualidade de quem insere adolescentes na vida sexual é extremamente ofensivo. A profissão do magistério é importante e essencial à todas as pessoas e deve ser respeitada por todos”, justificam os estudantes.

O Mais Goiás entrou em contato com a Google em busca de um posicionamento e aguarda retorno.