Joao Paulo Alexandre
Do Mais Goiás

Decisão da PUC Goiás de promover aulas presenciais gera protestos e reclamação

Muitos querem que a universidade termine o ano com as aulas remotas e que estude formas para voltar presencialmente no ano que vem

Estudantes de medicina da PUC denunciam sucateamento do estágio e descaso
Alunos da PUC Goiás questionam sobre retorno de aulas presenciais na universidade

Parte significativa dos alunos da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC) questiona a decisão da reitoria de promover aulas presenciais a partir do dia 9 de novembro, graças a uma nota técnica feita pela Secretaria de Estado da Saúde (SES) que dá aval para aulas nessa modalidade. Os estudantes reclamam que o semestre está perto do fim e que a realização de aulas presenciais oferecerá risco de contaminação e causará transtorno para alunos que estão na casa dos pais, no interior.

Larissa Rivelli, coordenadora do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da PUC, destaca que a universidade chamou o diretório, na última terça-feira (3), “apenas para anunciar” que as aulas presenciais retornariam para os calouros – 1º e 2º período – e para os alunos do último período. “Não ouviram os alunos e professores para saber o que eles acham disso. Temos muitos estudantes que não moram em Goiânia. Passe livre estudantil está suspenso. Muitos alunos são bolsistas e temem que isso pode prejudicá-los”.

Larissa diz que o DCE abriu uma enquete no Instagram para aferir a opinião dos alunos sobre as aulas presenciais e percebeu que a maioria dos comentários são de pessoas que preferem que o sistema continue remoto até o fim deste ano.

“Terminar do jeito que está. Todos se organizaram para fazer este semestre remoto. Organizar pra 2021 ser presencial”, disse uma aluna.

“Concordo com o retorno somente após a vacinação de todos. Não existe necessidade de encontros presenciais para aulas absolutamente teóricas, uma vez que o sistema remoto tem funcionado perfeitamente, a volta prematura indica, senão, a admissão por parte da PUC de que o ano letivo foi falho. Se for o caso, que a Pontifícia se preste a devolver aos alunos o dinheiro despendido nestes 09 (nove) últimos meses de ensino a distância! Não há razão nesta tomada de decisão sem consultar uma parte crucial do corpo universitário: os alunos. Os alunos que, assim como os professores, coordenação e administração, sofreram, em detrimento da situação pandêmica ora vivenciada, desfalque em seu seio familiar. Não existe justeza nessa jogada arbitrária”, afirma uma aluna que pediu para não ser identificada.

“Acredito que o retorno agora não seria viável, a menos de 1 mês para o fim do semestre. Contudo, vejo que será de fundamental importância o retorno presencial em 2021/1. Claro que tomando todas as providências e precauções sanitárias. É mais viável e vantajoso a adaptação das instalações para a retomada presencial em 2021”, disse outra aluna.

 

 

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Ontem, dia 03/11/2020 o DCE da PUC Goiás se reuniu com a pró reitoria de extensão para tratar de alguns assuntos acadêmicos. Dentre eles foi pautado sobre o possível retorno das aulas presenciais. Foi nos informado que a Universidade aguardará o direcionamento da Secretaria Estadual de Saúde e do COE (Centro de operações emergenciais), que lançará uma nota técnica nos próximos dias com o protocolo de retorno, e que se caso está nota técnica venha a vigorar, a PUC e outras instituições de ensino irão aderir. O retorno seria para os calouros (1 e 2 período) e formandos. Não seria obrigatório, visto que alguns alunos são ou tem pessoas na família que fazem parte do grupo de risco. De acordo com a universidade, aqueles que não puderem comparecer as aulas presenciais, continuarão com as atividades remotas. Apresentamos alguns questionamentos a serem analisados sobre este retorno, uma vez que, o passe livre está suspenso, muitos alunos estão passando a quarentena na casa de familiares (inclusive em outros estados), e o retorno imediato acarretaria uma série de mudanças que necessitariam de uma anterioridade que não foi pautada, é válido ressaltar que os números de contaminados e de vítimas do novo coronavírus ainda são altos. Nós precisamos ouvir vocês, o que acham deste retorno?

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Larissa afirma que todos estão apreensivos com a decisão tendo em vista a possibilidade de aumento de casos de covid-19. Ela afirma que restringir as aulas presenciais a 30% das turmas não resolve o problema. “No Campus V, por exemplo, as janelas são lacradas. Só tem o ar-condicionado. Como vai fazer para o ar circular dento das salas?”, questiona.

Larissa completa: “Recebemos constantes denúncias de falta de papel toalha, papel higiênico no banheiro. Como que a universidade vai garantir todos os protocolos se falta o básico?”.

Mensalidade total

A estudante do DCE também afirma que muitos alunos acreditam que a pressa da universidade em voltar com as aulas presenciais é para justificar a não diminuição dos valores das mensalidades, que foi um tema de debates acalorados durante a quarentena.

Larissa diz que, desde o início da pandemia, a evasão de alunos tem sido muito grande e que o número de calouros caiu. “Muitos resolveram esperar a pandemia passar para renovar a matrícula ou ingressar em algum curso”.

Para tentar ajudar os alunos, um projeto de lei tramita na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) que prevê que a instituições de ensino privadas façam a redução dos valores das mensalidades, nem no mínimo de 30%, durante vigorar o período do Plano de Contingenciamento durante vigorar a pandemia. De acordo com o site da Casa de Leis, a última movimentação do projeto foi em 26 de agosto, quando foi à Diretoria Parlamentar após passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Larissa pontua que, caso a universidade não se manifeste em favor de dialogar com os alunos, uma mobilização pode ser feita. “Eu acredito que isso não seja viável. Os alunos se prepararam para o sistema remoto. Reverter isso agora é muito complicado”.

Professores apreensivos

Os professores da universidade também foram pegos de surpresa com a notícia das aulas presenciais. O Mais Goiás falou com dois docentes que, por questões de segurança, não serão identificados.

O primeiro afirma que a situação é ainda atípica, já estamos em plena uma pandemia global, e, com isso, a atual sensação de segurança, pode terminar sendo insegurança.

“Primeiro a instituição deve garantir o cumprimento de todas as exigências sanitárias, mas também deve ser levada em consideração a opinião dos alunos e dos professores. O diálogo é fundamental nesse momento”, ressalta o professor.

O docente ainda destaca que muitos alunos estão em outra cidade. “Eu tenho alunos que estão fora da cidade para estar com familiares. Mas não temos só o problema da segurança. Temos que levar a condição de mobilidade, por exemplo. Como que esse aluno virá para Goiânia?”, questiona.

O professor argumenta que não é contra o retorno das aulas presenciais, desde que isso seja feito respeitando todos os protocolos. “A instituição deve garantir o cumprimento de todas as exigências sanitárias. O mesmo deve ser feito pelos alunos. Isso é de extrema importância, já que muitas pessoas já se comportam como se estivéssemos em pós-pandemia”, finaliza.

Não deve voltar

O segundo docente é mais direto quando questionado sobre o que acha do retorno das aulas. “Pelo lado pedagógico não é viável. Eu tenho alunos que vivem com pessoas idosas, grupo de risco. Como essas pessoas vão sair de casa, andar quilômetros, para assistir aula presencial? Para mim, as aulas não devem voltar por agora”, ressalta.

O docente ainda questiona como fazer para contemplar um aluno que pega aula de determinada matéria com turma de um outro curso.”Falta apenas 1 mês e 15 dias para o encerramento do semestre. Voltar por agora é muito complicado”, afirma.

Por meio de nota, a Associação dos Professores da PUC Goiás (Apuc) “manifesta-se, como entidade representativa dos docentes, seu posicionamento contrário ao retorno das aulas presenciais na Universidade antes que se tenha uma vacina contra o novo coronavirus (Sars-COV-2) para proteção à vida de toda a comunidade acadêmica puqueana. Até o momento não foi apresentado e negociado com a categoria protocolo de biossegurança para a volta presencial.”

A PUC não se manifestou até o fechamento do texto.