Música

‘Alegoria’: Gloria Groove aposta em EP visual, assumindo “um risco e um sonho”

Segundo a cantora, foi um risco lançar um projeto grandioso. Mesmo com o apoio do público, há boicote em rádios com drags que fazem música


Murillo Soares
Do Mais Goiás | Em: 13/11/2019 às 18:35:48

(Foto: Rodolfo Magalhães)
(Foto: Rodolfo Magalhães)

Na madrugada de segunda para terça-feira (12), a Gloria Groove lançou um EP visual. Batizado de Alegoria, o projeto tem quatro faixas que exploram o pop, o funk, o reggae e o hip hop, estilos com os quais a cantora já trabalhou anteriormente. Segundo contou ao Mais Goiás, cada faixa é a evolução de um dos lados dela.

Alegoria, entretanto, é mais que um simples lançamento. Para Gloria, “é assumir uma bronca, um risco e um sonho”. O primeiro vídeo do projeto, Mil Grau, foi divulgado na terça, ao meio-dia. Nas imagens, a cantora aparece como uma deusa do fogo.

Os demais vídeos, pontuou Gloria, sairão ainda neste mês e as ações terão participação maciça do público. “Com Coisa Boa YoYo, percebemos que quando o projeto entrar para o ‘universo real’ as pessoas engajam mais”, disse.

Assista a Mil Grau, de Gloria Groove, primeiro clipe do Alegoria:

Apesar de parecer que as forças da natureza são o fio condutor do Alegoria, Gloria Groove garantiu que não é. “Quando fui prestar atenção no material que separei para o projeto, vi que as quatro faixas são fortes metáforas”, sublinhou. Quando se deu conta disso, a artista foi atrás das referências imagéticas. “Há muita coisa burlesca e muitas menções à cultura drag. Além de filmes fantasiosos, como Sucker Punch e Mad Max“, explicou.

Eu não paro desde o Proceder [primeiro álbum de Gloria]. De lá para cá, aconteceu muita coisa: a popularização do meu trabalho, feats e composições para outros artistas,… Mas estava cheia de músicas legais e sem tempo para as minhas coisas

Desde o sucesso de Bumbum de Ouro, Groove investiu em singles. Em entrevista ao Mais Goiás em junho deste ano, a cantora afirmou que só faria um álbum caso ele fosse coeso e fizesse sentido.

“Um disco não é apenas juntar alguns singles. Depois que me tornei cantora, entendi que o meu público consome, no máximo, de cinco a seis vídeos meus por ano. Assim, com um álbum, muitas faixas boas acabam ficando sem um trabalho legal”, contou à época.

Boicote

Conforme publicado pelo Portal Popline, rádios brasileiras têm se recusado a tocas músicas cantadas por drag queens, sobretudo Pabllo Vittar. Apesar da insistência dos fãs, as faixas não entram na programação. Nem mesmo o famoso jabá [pagar para inserir da canção nas rádios] adianta, conforme afirmou o produtor Gorky nas redes sociais.

“Eu sou sincera. A luta para entrar nas rádios é muito real. Ainda para para a gente que representa uma contracultura”, afirmou Gloria ao Mais Goiás. Segundo a cantora, o rádio é um meio onde ainda “há muitos dinossauros da cultura” e o drag “é um conceito futurista”.

É assustador a gente ter que penar com isso, mesmo que o público esteja do nosso lado. Vai a um ponto em que não há mais desculpas. Isso se chama homofobia, discriminação. Não é questão de o estilo não se encaixar na grade. No tempo de ‘Coisa Boa’, uma rádio disse que não tocaria porque o funk [150 BPM] era muito rápido. São motivos tão vagos que não fazem sentido

Para Gloria Groove, isso tem a ver com o fato de que o que as pessoas entendem como “pop” ainda está em construção. “Ainda estamos colocando tijolinho por tijolinho, lutando para ter um espaço. O pop não é uma música do cotidiano do brasileiro, mas todos estão nos acompanhando e esperando pelos nossos lançamentos”, completou.

(Foto: Rodolfo Magalhães)

Tópicos