Advogado de Marconi Perillo afirma que operação Cash Delivery é “eleitoreira”

Para o defensor, a busca e apreensão na residência do ex-governador e atual candidato ao Senado trata-se de uma "clara interferência à estabilidade democrática"


Hugo Oliveira
Do Mais Goiás | Em: 28/09/2018 às 10:44:34

Marconi Perillo (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Marconi Perillo (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Na manhã desta sexta-feira (28), o ex-governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), foi alvo de mandados de busca e apreensão deflagrados cumpridos por meio da Operação Cash Delivery, da Polícia Federal (PF). Em nota, a defesa de Marconi repudiou a operação, que chamou de “eleitoreira”.

Para o advogado do tucano, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, a operação é uma “clara interferência à estabilidade democrática”. Em nota, ele ainda afirmou que os fatos citados pelo delator, sem provas, se referem a questões antigas. “A busca e apreensão na residência do ex-governador há nove dias da eleição assume um caráter claramente eleitoreiro e demonstra um abuso por parte do MPF e do Poder Judiciário”.

Kakay também contestou notícias que afirmam que Marconi teve prisão preventiva decretada. “Não é verdade que o ex-governador teve mandado de prisão decretado, mas teve  busca e apreensão e esta medida, neste momento ,já é uma grave agressão. Uma violência inexplicável ao estado democrático de direito”. Confira a íntegra:

“A Defesa do ex-governador Marconi Perillo vem a público explicitar o mais veemente repúdio à ação deflagrada hoje em Goiás.

O ex-governador foi citado na delação da Odebrecht por fatos ocorridos em 2010 e 2014. É evidente que os fatos devem ser apurados e a Defesa não tem nenhuma preocupação com a investigação.

A palavra do delator é isolada e não há, sequer en passant, qualquer fiapo de indício contra o Marconi Perillo. A busca e apreensão na residência do ex Governador ha 9 dias da eleição assume um caráter claramente eleitoreiro e demonstra um abuso por parte do Ministério Publico e do Poder Judiciário.

É, sem dúvida, uma clara interferência, indevida e perigosa, contra a a estabilidade democrática. Os fatos citados pelo delator, sem provas, se referem a questões antigas. A falta de contemporaneidade, já decidiu varias vezes o Supremo Tribunal,é impeditivo de prisões e qualquer outra medida constritiva contra qualquer cidadão.

Importante esclarecer que NÃO é verdade que o ex Governador teve mandado de prisão decretado, mas teve busca e apreensão e esta medida, neste momento ,já é uma grave agressão. Uma violência inexplicável ao estado democrático de direito.

A Defesa vem denunciando, há tempos, à espetacularização do direito penal e a criminalização da politica”.

 

Maços de dinheiro

Além de checar endereços do tucano, que é líder nas pesquisas de intenção de voto ao Senado Federal no Estado, agentes também prenderam Jayme Rincon, coordenador de campanha do atual governador, José Eliton, candidato à reeleição também pelo PSDB. Jayme é ex-tesoureiro de Perillo e ex-secretário da Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop).

Dinheiro encontrado na casa de motorista de Jayme (Foto: divulgação/PF)

Também foi preso motorista de Jayme, o policial militar Márcio Garcia de Moura. Na casa dele, a polícia encontrou maços de dinheiro em espécie. O filho de Jayme, Rodrigo Godoi Rincon também está entre os investigados. Os nomes do ex-policial militar e advogado Pablo Rogério de Oliveira e do empresário Carlos Alberto Pacheco Júnior também constam na lista.

Delações

As investigações são fruto de delações premiadas da Odebrecht. Executivos da empresa afirmaram ter repassado R$ 12 milhões para campanhas de Marconi em 2010 e 2014, em troca de favores no governo. Para a PF, Jayme era quem recebia os recursos em nome de Perillo, que é apontado como chefe do esquema.

O advogado dele, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, em nota, repudiou a operação, que batizou de “clara interferência à estabilidade democrática”. “Os fatos citados pelo delator, sem provas, se referem a questões antigas. A busca e apreensão na residência do ex-governador há nove dias da eleição assume um caráter claramente eleitoreiro e demonstra um abuso por parte do MPF e do Poder Judiciário”.

O Mais Goiás aguarda manifestação de José Eliton sobre o assunto, inclusive a respeito da prisão de seu coordenador de campanha. A redação não conseguiu contato com o diretório estadual do PSDB em Goiás.

*Com informações da Folhapress