QUARENTENA

Jovens se reúnem em condomínio no dia em que morador morre com Covid

Moradora tentou falar com síndica, que a acusou de "ter tempo demais para cuidar da vida dos outros"


Da Redação
Do Mais Goiás | Em: 29/06/2020 às 18:01:37

(Foto: Leitor/Mais Goiás)
(Foto: Leitor/Mais Goiás)

O conflito entre os que não aceitam a quarentena e os que respeitam o isolamento reproduziu-se neste domingo no residencial Maria Inês, um condomínio de oito blocos que fica em um bairro de mesmo nome em Aparecida de Goiânia. No mesmo dia em que um morador do residencial morreu com coronavírus, um grupo de 12 adolescentes reuniu-se na garagem do condomínio com bebida alcóolica, som alto e sem máscaras. 

O funk dominou a playlist. Havia pequenos bancos almofadados espalhados no local, uma caixa de som e uma caixa de bebidas, bem servida com cerveja e com uma bebida alcóolica gaseificada que mistura vodka e limão. Por medo da reação dos jovens, ninguém acionou a polícia. 

A gerente de vendas Rafaela Rocha de Carvalho, que lá habita há sete anos com a filha e a mãe idosa, recorreu à síndica, Tânia Maria de Sousa Bringel Pimentel. A síndica respondeu: “Acho que vocês estão tendo tempo demais para ficar vigiando a vida dos outros. Não existiu aglomeração e nenhuma festa. São moradores do nosso bloco. Que tem seus direitos de ir e vir. Estavam na garagem deles. Durante o dia, conversando. Vocês moram no último andar. Considero essa reclamação desnecessária”. 

Rafaela relata: “Voltei a procurar a Tânia disse que só me atenderia em horário comercial. Procurei-a hoje, às 8 horas. Não abriu a porta. Respondeu que só falaria comigo virtualmente, por causa do coronavírus. Acionei-a pelo WhatsApp, mas ela bloqueou o meu número”. 

A gerente de vendas já havia reclamado de outra festinha na garagem do prédio, também durante a pandemia. Um dos meninos respondeu que não adiantaria protestar porque um dos filhos de Tânia, a síndica, estava lá. “Dessa vez eu não tive a mesma paciência para deixar para lá porque aconteceu no mesmo dia em que nosso vizinho faleceu. Além dele, há outros dois na UTI”.

A reportagem telefonou para Tânia no número com final *58, mas ela não atendeu. O espaço continua aberto para que ela se manifeste.