Cidades

Adolescentes são suspeitos de planejar ataques em colégios de Bom Jesus e Quirinópolis

Em um dos casos, menor de idade procurava por arma de fogo nas redes sociais. Especialista afirmou ao Mais Goiás que "adolescentes não são psicopatas"


Fabricio Moretti

Do Mais Goiás | Em: 19/03/2019 às 19:39:30


Aluno do Colégio Estadual Moisés Santana, em Bom Jesus, procurava armas de fogo na internet para fazer um suposto ataque (Foto: Reprodução/Google Maps)
Aluno do Colégio Estadual Moisés Santana, em Bom Jesus, procurava armas de fogo na internet para fazer um suposto ataque (Foto: Reprodução/Google Maps)

A Polícia Civil informou que um adolescente de 15 anos foi apreendido nesta terça-feira (19) após criar um grupo na internet e pedir para que outros alunos o ajudassem a conseguir armas de fogo. O armamento seria para fazer um suposto ataque no Colégio Estadual Moisés Santana, no município de Bom Jesus de Goiás.

Segundo o delegado responsável pelo caso, Rogério Moreira Silva, a polícia foi informada sobre o caso anonimamente e que o adolescente estava sendo investigado. “Já era prevista a sua apreensão para esclarecimentos nesta segunda-feira (18). Tive acesso aos prints da conversa nas redes sociais e o jovem em nenhum momento diz se tratar de uma brincadeira, pedindo sigilo aos alunos a todo momento”, conta.

A diretora do colégio, suspeitando que o estudante pudesse realizar um ataque, optou por suspender as aulas na manhã desta terça-feira (19). De acordo com o delegado, a família do jovem ficou perplexa e a mãe do jovem desconhecia qualquer intenção do filho.

Diante da gravidade, o adolescente foi encaminhado à delegacia. Em depoimento, ele afirmou que tudo não passava de uma brincadeira. Segundo o delegado “o promotor determinou medidas disciplinares ao menor, o qual foi levado para o Ministério Público“.

O Mais Goiás tentou contato com o Colégio Estadual Moisés Santana, porém até o fechamento da matéria as ligações não foram atendidas.

Suspeita em Quirinópolis

Também nesta terça-feira (19), a Polícia Militar foi chamada no Colégio Estadual Drº Onerio Pereira Vieira em Quirinópolis, a 292 km de Goiânia, para investigar uma denúncia feita pela diretora da unidade de ensino.

A funcionária alegou que na semana passada, um jovem que estuda a noite publicou nas redes sociais sobre o massacre na escola de Suzano (São Paulo). Ela afirmou que ele deixou transparecer que desejava fazer o mesmo no colégio onde estudava. Preocupados, os alunos fizeram prints das postagens e o caso repercutiu dentro e fora da instituição.

A PM registrou o fato e encaminhou o boletim de ocorrência para a Polícia Civil, para que prossiga com a investigação.

A diretora do Colégio Estadual Drº Onerio Pereira Vieira esclareceu que as providências as quais caberiam a unidade de ensino já foram tomadas e que a polícia está de posse das mídias sobre o acontecimento. O Mais Goiás entrou em contato na delegacia da cidade, porém a delegada responsável pela ocorrência, Simone Casemiro, passou o dia colhendo os depoimentos dos envolvidos no caso.

Colégio Estadual Drº Onerio Pereira Vieira em Quirinópolis (Foto: Reprodução)

Colégio Estadual Drº Onerio Pereira Vieira em Quirinópolis (Foto: Reprodução)

Apreensão em Pontalina

Na última segunda-feira (18) a Polícia Civil de Pontalina apreendeu um adolescente que planejava um atentado na escola a qual estudava. Na casa do jovem de 17 anos, foram encontradas uma capa, máscara, desenhos e um arco e flechas que seriam usados no ataque. Uma arma de fogo e munições, pertencentes ao pai do garoto, também foram apreendidas.

O menor confessou os planos e disse que livraria as pessoas de viverem “num inferno” matando-as. Ele afirmou que o massacre de Christchurch era o tipo ideal de atentado por causa do grande número de vítimas.

O rapaz ressaltou que planejava realizar o massacre antes do carnaval, mas que o crime só não aconteceu porque era necessária uma arma de repetição. O adolescente afirmou que cometeria suicídio após a execução. “Não sentiria remorso pelas mortes, pois também já estaria morto”, disse.

Itens apreendidos na casa do menor de idade. Plano era cometer o crime antes do Carnaval. (Foto: Divulgação/PC)

Adolescentes não são psicopatas

Sobre a recente onda de ataques planejados por menores de idade, o psicólogo forense Leonardo Faria, especialista em Psicologia Jurídica e Neuropsicologia, esclarece que a fase da adolescência é o período de maior vulnerabilidade para uma pessoa cometer esse tipo de ato.

“É um período no qual os conflitos psicológicos estão evidentes. As causas podem ser associadas ao bullying, maus tratos, estupro ou qualquer situação de violência. As causas têm a ver com o convívio, com o ambiente. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) um adolescente não pode ser classificado como psicopata, pois a psicopatia só pode ser atribuída a pessoas com no mínimo 18 anos de idade. O adolescente tem transtorno de conduta”, explica Faria.

Segundo o psicólogo, a prática do massacre não se restringe a adolescentes. Portadores de transtornos mentais podem cometer tais atos, que nesse caso não possuem um grau de organização e de planejamento. “Existem esses dois tipos de homicidas em massa: o que passou por experiências as quais causaram tensão psicológica, e o acometido de transtornos mentais, mais raros e difíceis de acontecer” garante o especialista.

Questionado sobre a influência de jogos de violência no comportamento dos menores, Leonardo Faria explica que os jovens procuram refugio em conteúdos violentos, mas que não são os únicos responsáveis.

“O jogo influencia assim como a televisão, um livro, uma orientação por parte de uma pessoa. Jogos são estímulos como vários outros. Não podemos atribuir a eles a responsabilidade total, pois são uma válvula de escape. Muitas vezes falta o manejo da família. Os pais devem dar o exemplo, não pregar a violência, oferecer afeto e limites, além de uma boa comunicação com os filhos”, diz o psicólogo.