Sem prorrogação

Adiamento das eleições não é bem visto por parlamentares goianos

“São nos momentos de crise que democracia deve mais se manifestar", diz deputado federal sobre manutenção do pleito


Francisco Costa
Do Mais Goiás | Em: 20/03/2020 às 18:13:52
Tainá Borela
Do Mais Goiás | Em: 20/03/2020 às 18:13:52

(Foto: Fábio Pozzebom/Agência Brasil)
(Foto: Fábio Pozzebom/Agência Brasil)

Se o assunto de suspender as eleições por conta do novo coronavírus começava a ganhar corpo no Congresso, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), garantiu o seu desfecho. À Folha de S.Paulo, ele disse que “as eleições constituem um dos ritos vitais para a democracia. Só se deve cogitar de adiá-las diante da absoluta impossibilidade de sua realização”. A opinião é a mesma do deputado federal goiano, Rubens Otoni (PT): “São nos momentos de crise que a democracia deve mais se manifestar. Não vejo possibilidade de adiamento.”

O parlamentar goiano afirmou, ainda, que acredita que a situação do coronavírus já esteja estabilizada em 16 de agosto, período de início do pleito. “E caso persista, encontraremos forma de garantir a manifestação livre do povo na escolha de seus representantes”, respondeu ao Mais Goiás. A previsão é de estabilidade, sem aumentos, a partir de julho.

Sem prorrogação de mandatos

José Nelto, deputado federal pelo Podemos, afirma, também, que não é momento de pensar em adiamento de eleições. “Nem de prorrogação de mandatos”. Para ele, o pensamento é, inclusive, um ato antipatriótico nesse momento.

“Agora é hora de estarmos totalmente voltados à questão de saúde pública, no enfrentamento e combate do novo coronavírus. Temos que nos debruçar nos casos que envolvem desde o presidente da República, ao cidadão mais simples. Não podemos misturar o momento que o País está vivendo com prorrogação de eleições”, bradou e reafirmou: “Eu me recuso a tratar desse assunto agora.”

Para ele, esse assunto nem deveria ser tratado agora. “Vamos esperar os 90 dias que virão, que aí sim poderemos ver qual a situação do País e o que poderá ser feito. Se uma PEC (proposta de emenda à Constituição) atenderia essa situação, ou qual seria a questão jurídica.”

Pré-candidatos

Mais cedo, à Folha, Léo Moraes (RO), líder do Podemos na Câmara dos Deputados, disse já ter pedido uma consulta ao Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) para verificar a possibilidade de adiamento do pleito para dezembro. Paulinho da Força, presidente nacional do Solidariedade, falou ao jornal que a avaliação é antecipada, mas que precisava estar no radar.

Para Paulinho Graus (PDT), vereador e pré-candidato à prefeitura de Goiânia, “o ministro Barroso tem razão”. Segundo ele, a eleição está no texto constitucional e ele não vê ambiente para mudar o pleito. De acordo com o pedetista, em outubro, no momento de ir às urnas, a pandemia já terá passado. “Além disso, hoje a eleição corpo a corpo diminuiu muito. É mais TV, rádio e, principalmente, redes sociais”, diz sobre a campanha.

O deputado Virmondes Cruvinel, que é pré-candidato pelo Cidadania na capital, acredita que ainda esteja cedo para tomar a decisão, e que tudo vai depender da forma que o país conseguir contornar a evolução do coronavírus.

“Ainda temos um tempo até o início da campanha. E tudo vai depender da evolução do vírus”. Para o deputado, o adiamento pode ser uma das alternativas, mas lembra que o dentro da legislação eleitoral, as eleições devem ocorrer ainda neste ano, logo poderiam ser adiadas de outubro para dezembro.

O pré-candidato do PSDB, Talles Barreto, lembra que o prazo de filiação já foi adiado de 3 de abril para 30 do mesmo mês. Apesar de não acreditar na suspensão das eleições, ele declara que vai aguardar a decisão. “O que for decidido, vamos cumprir.”