"Fim da corrupção"

‘Acabei com Lava Jato, porque não tem corrupção no governo’, diz Bolsonaro

Apesar da fala de Bolsonaro, a prerrogativa de encerrar a Lava Jato não é do Poder Executivo, mas da PGR


FolhaPress
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Do FolhaPress | Em: 08/10/2020 às 09:43:32

O presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia de sanção do projeto de lei (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
O presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia de sanção do projeto de lei (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse na tarde de hoje (7) ter acabado com a Operação Lava Jato, porque, segundo ele, “não existe mais corrupção no governo”. O discurso ocorreu durante cerimônia de lançamento do programa Voo Simples, no Palácio do Planalto, em Brasília.

“É um orgulho, uma satisfação que eu tenho de dizer a essa imprensa maravilhosa nossa, que eu não quero acabar com a Lava Jato… Eu acabei com a Lava Jato, porque não tem mais corrupção no governo”, disse o presidente, sendo aplaudido por autoridades presentes no local. “Eu sei que isso não é virtude, é obrigação. Para nós, fazemos um governo de peito aberto”, acrescentou, em seguida.

Apesar da fala de Bolsonaro, a prerrogativa de encerrar a Lava Jato não é do Poder Executivo, mas da PGR (Procuradoria-Geral da República (PGR). A possibilidade de encerramento da força-tarefa de Curitiba em janeiro de 2021, como previsto pela PGR, lança incertezas sobre o futuro de uma série de investigações ainda em andamento e tem mobilizado procuradores da equipe a agir pela continuidade da operação, como noticiou a Folha de S. Paulo.

O procurador da Lava Jato Roberson Pozzobon disse, em entrevista à CNN Brasil em setembro, que “é impossível” encerrar até janeiro as mais de 400 investigações em curso na Operação.

76ª etapa da Lava Jato ocorreu nesta quarta-feira (7)

Com 76 etapas deflagradas desde 2014, a operação Lava Jato frequentemente usa elementos obtidos durante a investigação para montar o quebra-cabeças com evidências ao apresentar novas denúncias e pedir maior apuração de seus desdobramentos.

Em setembro, a subprocuradora Maria Caetana Cintra dos Santos, do Conselho Superior do Ministério Público Federal, prorrogou por um ano a força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba, em uma decisão liminar que contraria a cúpula da Procuradoria-Geral da República.

Na manhã desta quarta-feira (7), a Polícia Federal deflagrou nova fase da Operação Lava Jato, batizada de “Sem limites III”. Os agentes cumpriram quatro mandados de busca e apreensão na cidade do Rio de Janeiro. As ações, segundo a corporação, tiveram como objetivo aprofundar as investigações sobre supostas práticas criminosas cometidas na diretoria de Abastecimento da Petrobras, especificamente na gerência executiva de Marketing e Comercialização.

Em seis ano e meio de operação, a lista de pessoas condenadas na operação Lava Jato foi marcada nomes importantes como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro José Dirceu, o empresário Marcelo Odebrecht, o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, o ex-governador Sergio Cabral e o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, entre outros.

Eleito com discurso de apoio à Lava Jato

Bolsonaro foi eleito em 2018 com um discurso de total apoio à Lava Jato, à moralização e ao combate à corrupção. Em novembro daquele ano, por exemplo, Bolsonaro escreveu que “os que hoje se colocam contra ou relativizam a Lava Jato, estão também contra o Brasil e os brasileiros. Todo apoio à operação que está tirando o país das mãos dos que estavam destruindo-o!”

Após eleições, o presidente convidou o então juiz da força-tarefa Sérgio Moro para fazer parte do seu governo. Moro, no entanto, anunciou a sua saída em abril deste ano após a exoneração do diretor-geral da PF (Polícia Federal) Maurício Valeixo, profissional de confiança do ex-juiz.

Na ocasião, Moro afirmou que Bolsonaro queria interferir na Polícia Federal. “O presidente queria ter alguma pessoa do contato pessoal dele, que ele pudesse colher informações”, falou. “E realmente não é o papel da Polícia Federal prestar esse tipo de informação.”.

Lançamento de programa

O presidente Jair Bolsonaro participou do lançamento do programa Voo Simples, um conjunto de medidas de modernização de regras e redução de custos no setor de aviação geral. O chefe do Executivo estava ao lado de outras autoridades e do empresário Luciano Hang, dono das lojas Havan.

O programa da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e do Ministério da Infraestrutura reúne mais de 50 iniciativas “em prol da indústria de aviação, especialmente para profissionais, operadores de aeronaves e empresas de pequeno porte”.

Participaram da cerimônia no Palácio do Planalto o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o diretor-presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), Juliano Noman.