QUEIMADAS

A pedido de Bolsonaro, PF vai investigar incêndios criminosos no Pará

Reportagem publicadas no site do Globo Rural mostrou que rede social foi usada para organizar 'Dia do Fogo' no estado


Estadao Conteúdo
Estadao Conteúdo
Do Estadao Conteúdo | Em: 25/08/2019 às 16:52:14

A pedido de Bolsonaro, PF vai investigar incêndios criminosos no Pará (Foto: Reprodução)
A pedido de Bolsonaro, PF vai investigar incêndios criminosos no Pará (Foto: Reprodução)

A pedido do presidente Jair Bolsonaro, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, determinou à Polícia Federal a abertura de uma investigação sobre incêndios criminosos na região do Pará.

Moro confirmou o pedido do presidente por uma “apuração rigorosa” e afirmou, no Twitter, que “incêndios criminosos na Amazônia serão severamente punidos”.

O ponto de partida dessa investigação é o conteúdo de uma reportagem que narra, entre outros pontos, a suposta atuação de um grupo de 70 pessoas que teriam se articulado no WhatsApp para promover queimadas no Pará em 10 de agosto, que ficou conhecido como “Dia do Fogo”.

A reportagem, publicada no site do Globo Rural, reúne também o relato de uma pecuarista que atribui o início das queimadas a funcionários do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio).

A abertura da investigação foi saudada nas redes sociais pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, pelo secretário de Comunicação Social, Fabio Wajngarten, e por filhos de Bolsonaro

O senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) falou que há um possível boicote ao governo. “Caso se confirme essa aberração, ficará evidente que o boicote ao governo existe e vem de pessoas infiltradas nos próprios órgãos oficiais”, disse, citando o Twitter de Ricardo Salles. “Siga firme na missão!”

O deputado Eduardo Bolsonaro, compartilhando reportagem, interpretou que há “incêndios propositais com o fim de desgastar a imagem do PR (presidente da República) Bolsonaro”.

Andamento

Os incêndios no Pará já vinham sendo investigados pelo Ministério Público Federal no Estado. A Procuradoria da República no Pará divulgou no dia 22 que vem conduzindo “investigações em três municípios e na capital paraense, para apurar a diminuição no número de fiscalizações ambientais na região, a ausência da Polícia Militar do estado no apoio às equipes de fiscalização e o anúncio, veiculado em um jornal de Novo Progresso (sudoeste do estado) convocando fazendeiros para promoverem um ‘Dia do Fogo’, na semana passada”.

O Ministério Público Federal (MPF) em Santarém, Itaituba, Altamira e Belém também citou a existência de dados alarmantes recolhidos pelos sistemas de satélite sobre o aumento na devastação em várias porções da floresta amazônica. Foram citados dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de aumento de 50% no desmatamento e de 70% nas queimada. “O enfrentamento do desmatamento ilegal é uma política de Estado, não de governos específicos”.