Alexandre Bittencourt
Do Mais Goiás

“A gente sabia que isso ia acontecer”, diz irmã de garota decapitada em Anápolis

Noemi Figueira de Moraes, de 17 anos, estava com o cabelo raspado, os dedos médio e anelar da mão direita ceifados e a língua cortada

A Polícia Civil descobriu quem é a garota executada a golpes de facão e decapitada no município de Anápolis, cujo corpo foi encontrado nesta segunda-feira (9) em estado avançado de decomposição. Trata-se de Noemi Figueira de Moraes, de 17 anos. O reconhecimento foi feito no Instituto Médico Legal (IML), na tarde desta quarta-feira (11), pela irmã que possuía a guarda da menor. Ela pediu ao Mais Goiás para não ter o nome revelado. “A gente sabia que, cedo ou tarde, isto ia acontecer. As escolhas que ela fez na vida levaram-na a isso”, disse.

O corpo de Noemi estava sem cabeça, mas tinha tatuagens que permitiram a identificação. Uma delas era o desenho de Tio Patinhas, personagem da Disney, na coxa esquerda. Outra, na coxa direita, era chamada pela vítima de “filtro dos sonhos”. Havia também duas flores de lótus no braço esquerdo. Noemi estava com o cabelo raspado, os dedos médio e anelar da mão direita ceifados e a língua cortada.

A irmã deu à reportagem a sua análise sobre a mutilação do cadáver. “Lá em Brasília, onde crescemos, eu aprendi que cabeça raspada é sinal de envolvimento com o tráfico. O dedo anelar cortado sugere que o crime foi cometido em função de algum relacionamento que ela teve e a língua cortada indica que ela falou demais”, afirma.

“Liberdade”

Noemi morou na casa da irmã mais velha – que conversou com o portal – por um ano e três meses, no município goiano de Paraúna. Sobre este período, a irmã diz: “foi um período difícil. Ela se envolveu com drogas, coisas ilícitas e homens errados. Brigamos recentemente porque ela levou um homem ‘errado’ na casa onde vivo com minha filha de cinco anos. Eu disse que não aceitava aquilo”. Pouco depois deste episódio, Noemi avisou que iria embora porque “queria mais liberdade”. As duas não se falavam há um mês.

Antes disso, a vítima também havia deixado a casa dos pais em Brasília. A irmã conta que, até a morte da filha, o pai de Noemi não havia feito as pazes com a garota. Ele não foi a Anápolis para o reconhecimento do corpo da vítima, mas a mãe sim. A família ganhou da prefeitura de Paraúna o traslado do cadáver e o lote para enterrar Noemi na cidade. O velório, em caixão fechado e restrito a familiares e poucos amigos, será curto e realizado ainda na noite desta quarta-feira (11).

Noemi não estudava e tinha emprego. Desde que deixou Paraúna, o seu paradeiro era desconhecido pela família. Pais e irmãs não sabem o motivo que a levou a Anápolis. Lá ela tinha apenas parentes que não foram contactados por ela. A última notícia que se teve dela foi uma ligação telefônica a um rapaz de Paraúna que é amigo da família, na semana passada, para pedir dinheiro. “Noemi queria um empréstimo para tomar um ônibus de volta à minha cidade. Falou que queria retomar os estudos e mudar de vida”, relata a irmã.

Redes sociais

Um detalhe instigante é que a vítima apagou uma série de fotos no Instagram dias antes de ser executada. Eram fotos com amigas e rapazes que a família não sabe quem são. Também foram deletadas fotos com a irmã.

O Mais Goiás conversou com o delegado responsável pelo caso, Vander Coelho, que confirmou a identificação de Noemi. Vander diz que a provável motivação do crime foi envolvimento com tráfico de drogas. “Ainda não colhi depoimentos da família. É uma das próximas etapas da investigação. Também estamos à espera da conclusão do laudo do IML para ter condições melhores para prosseguir”.

Três suspeitos já foram presos. “Os policiais constataram que os suspeitos estavam com as mesmas vestes e calçados no crime. Durante a abordagem, confessaram o delito e indicaram o local em que o corpo estava”, disse o delegado mais cedo à reportagem. Eles devem ser autuados por homicídio e ocultação de cadáver. O inquérito deve ser concluído em até 10 dias e enviado ao Judiciário.

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