73% dos moradores de Goiânia confiam no trabalho da Rotam, diz pesquisa

Resultados mostram também que menor aprovação está entre jovens e pessoas com nível superior


Artur Dias
Do Mais Goiás | Em: 09/05/2019 às 10:10:40

(Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Goiás Pesquisas, em parceria com o Mais Goiás, mostra que 73,38% dos goianienses confiam no trabalho das Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas (Rotam). Foram entrevistadas 1.067 pessoas na capital entre os dias 17 e 28 de abril de 2019. O nível de confiança da pesquisa é de 95% e a margem de erro é de 3% para mais ou para menos.

Os resultados mostram ainda que 68,6% da população acredita que a estrutura da Rotam deve ser mantida. Já 28,2% acha que ela deve ser reformulada e 3,2% defende a extinção do batalhão.

Os entrevistados também foram perguntados se a Rotam deixa a sociedade mais segura ou se ela traz mais violência e insegurança. Nesse aspecto, 92,6% acredita que o trabalho dos policiais militares torna a sociedade mais segura, contra 7,4%, que afirmou o contrário.

Outro ponto levantado pelo estudo foi relacionado às mortes que acontecem durante as ocorrências. Foi perguntado se elas são necessárias ou deveriam ser evitadas. As mortes são necessárias para 84,4% dos entrevistados, enquanto deveriam ser evitadas para os 15,6% restantes.

Corrupção e proteção

A pesquisa também questionou se as pessoas acreditam que há corrupção dentro da Rotam. A maioria, 82,1% dos entrevistados, disse acreditar na honestidade dos integrantes do batalhão, contra 17,9% que ressaltaram acreditar na existência de corruptos entre os agentes.

Além disso, uma parcela majoritária dos entrevistados, 85,3% diz se sentir protegida pelo trabalho dos policiais. Outros 14,7% revelaram sentir medo, entretanto.A pesquisa também perguntou se as pessoas já foram protegidas de alguma forma ou se já foram vítimas de abuso de poder pela Rotam: 83,6% afirmaram que já foram protegidos, contra 16,4%, respectivamente.

(Foto: Wagnas Cabral)

Idade e escolaridade

Os resultados da pesquisa mostram quem a aprovação do batalhão é maior entre as mulheres (85,3%) do que entre os homens (78,9%). Na divisão por faixa etária, os idosos (acima de 60 anos) são os que mais aprovam (82%) e a menor aprovação é entre os jovens (entre 18 e 29 anos), com 58% de aprovação. Entre os adultos (30 a 60 anos), o índice de aprovação é de 73%.

No que diz respeito ao nível de escolaridade, a maior aprovação é entre pessoas com ensino fundamental, com 85,1%. No nível médio, 69% aprovam o trabalho da Rotam.

Os entrevistadores com o nível superior foram os únicos que reprovam mais do que aprovam. Nesse nível de escolaridade o índice de reprovação foi de 63%, contra 37% de aprovação.

Resposta do Comando

Em entrevista ao Mais Goiás, o comandante da Rotam, tenente-coronel Benito Franco, afirmou que a confiança no trabalho do batalhão é bastante acima da média das instituições. Ele observou ainda que o índice foi conquistado graças ao aperfeiçoamento das atividades.

“Aqui nós trabalhamos com três tipos de foco: o interno, o empático e o situacional”, disse o comandante. “O interno é buscar sempre melhorar a si mesmo. O empático é a relação entre eu e a pessoa que vou atender, é saber o que a população espera de mim. O situacional é saber identificar quais os crimes e áreas mais afetadas e agir nessas áreas. Trabalhando dessa forma nos geramos a empatia da população”.

Tenente-coronel Benito Franco, comandante da Rotam. (Foto: Altemar Santos/Mais Goiás)

O tenente-coronel foi questionado sobre os menores índices de aprovação da Rotam entre os jovens. Ele afirmou que essa faixa etária geralmente está em faculdades e que a biografia delas é voltada “para uma série de contos históricos um pouco deturpados”.

Benito disse também que as pessoas mais jovens tendem a desaprovar o trabalho da Rotam por causa de algumas notícias isoladas de abusos. Ele afirmou ainda que não há conduta que desabone a Rotam há muito tempo, mas que o jovem, ser mais consumidor de vários tipos de mídia, é levado aprovar menos a Rotam por causa das notícias, “mesmo que elas sejam de cinco, dez anos atrás”.

“Isso não é culpa dos meios de comunicação”, reforça o comandante. “Se o ser humano se influenciasse e se atraísse, psicologicamente, mais pelo prazer do que pela fuga da dor, os meios de comunicação publicariam mais prazer”, ressaltou.

Maior contato com pessoas mais pobres

Sobre o alto índice de reprovação entre as pessoas com nível superior, Benito Franco disse que essas pessoas tem mais acesso a informação e que, por esse motivo, tem mais acesso a notícias negativas da Rotam, ainda que sejam antigas.

O militar afirmou ainda que as pessoas que tem um índice de desenvolvimento humano mais baixo são mais afetadas pelo crime. “A pessoa mais pobre sai para trabalhar e quando volta encontra a casa toda mexida, furtada. São pessoas que não têm condições de segurança privada. Temos um contato maior com eles. Quando solucionamos os crimes delas, elas ficam mais emocionadas. As pessoas com nível superior precisam menos do nosso trabalho. Cerca de 70% das ações abarcadas beneficamente por ações da Rotam são de pessoas mais pobres”, concluiu.