28% dos aparecidenses receberam Auxílio Emergencial; Cufa aponta aumento da pobreza

Total de 9% da população de Goiás sobrevive com menos de R$ 10 diários

Vulnerabilidade Social (Foto Ilustrativa: Jucimar de Sousa)
Vulnerabilidade Social (Foto Ilustrativa: Jucimar de Sousa)

Um total de 169.563 aparecidenses receberam pelo menos a primeira parcela do Auxílio Emergencial em 2020. O número representa 28% dos habitantes de Aparecida de Goiânia. Um mês antes da liberação do benefício, em março do último ano, 11.388 pessoas receberam o Bolsa Família na cidade. Os dados são do Portal da Transparência do Governo Federal. Central Única das Favelas em Goiás (Cufa-GO) aponta que a quantidade de beneficiários indica aumento da pobreza na região.

“O crescimento do acesso aos benefícios do governo representa um aumento da pobreza devido à pandemia da Covid-19. O fato não ocorre apenas em Aparecida de Goiânia, mas em todo país”, afirma o presidente da Cufa-GO, Breno Cardoso. Breno ainda afirma que a alta no número de beneficiários em Aparecida demonstra um crescimento subnotificado da pobreza.

“Muitas pessoas que estão em condição de extrema pobreza passam por uma situação de invisibilidade e não conseguem sequer alcançar esses benefícios do governo”. A Cufa tem representantes em 47 bairros de Aparecida de Goiânia. “São líderes comunitários das regiões, que tem equipes dentro dos bairros, e estão empenhados em trabalhar no enfrentamento da fome durante a pandemia”, diz.

Goiás

Dados levantados pela Cufa em Goiás revelam que desde o início da pandemia, a parcela da população que vive abaixo da linha de pobreza no estado foi de 6% para 9%. As pessoas que vivem na linha abaixo da pobreza sobrevivem com menos de R$ 10 por dia.

Além do crescimento da população em situação de extrema vulnerabilidade social no estado, Breno revela números que demonstram o grau de necessidade de uma enorme parcela da população goiana. “18% dos goianos pertence a Classe “E”, cujas famílias sobrevivem com apenas 2 salários-mínimos”.

Fome

A pesquisa “A favela e a Fome”, realizada pelo Data Favela, em parceria entre Instituto Locomotiva e Cufa, entrevistou 2 mil moradores de 76 favelas brasileiras na segunda semana de fevereiro deste ano. A média de refeições diárias entre os entrevistados é de menos de duas (1,9). Nos últimos 15 dias data das entrevistas, 68% dos participantes afirmaram que em ao menos um dia faltou dinheiro para comprar comida.

Se o auxílio emergencial fosse encerrado, 67% precisariam cortar despesas básicas, como comida (53%), limpeza (45%) e atrasariam contas (61%). Nesta situação, somente 8% deles conseguiriam manter o padrão de consumo. A pesquisa revelou também que 71% das famílias das favelas brasileiras sobrevivem com menos da metade da sua renda e 93% não dinheiro guardado.