Tombamento

Pit-Dogs poderão ser tombados como patrimônio histórico e cultural de Goiânia

Projeto de lei recebeu votação favorável em primeira votação. Proprietários de estabelecimentos celebram iniciativa e destacam dificuldades da atividade


Hugo Oliveira

Do Mais Goiás | Em: 25/04/2018 às 13:30:33


Vereador esclarece que apenas estabelecimentos que se adequarem às regras, que ainda serão definidas, poderão ser contemplados (Foto: reprodução)
Vereador esclarece que apenas estabelecimentos que se adequarem às regras, que ainda serão definidas, poderão ser contemplados (Foto: reprodução)

Ícones da cultura gastronômica de rua de Goiânia, os famosos – e práticos – Pit-Dogs poderão ser agraciados com um reconhecimento legislativo. Foi aprovado, em primeira votação na Câmara Municipal, projeto de lei com objetivo de tornar as sanduicherias patrimônio histórico e cultural da capital. Caso o dispositivo seja aprovado e, posteriormente, sancionado, lanchonetes não poderão ser removidas ou modificadas sem autorização do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

De autoria dos vereadores Alyson Lima (PRB) e Zander Costa (PEN), o recurso tem objetivo de valorizar e dar segurança aos estabelecimentos tipicamente goianienses. Para Lima, são, no mínimo, 50 anos de presença desses estabelecimentos em Goiânia, os quais enfrentam um momento de “fragilidade”, aquém da “importância histórica” que representam.

Projeto é aprovado em primeira votação na Câmara (Foto: reprodução)

“Estão em um momento de fragilidade. Pouco tempo atrás havia na prefeitura um calendário de demolição de 35 estabelecimentos em situação irregular, que foi suspenso. Então, este é um presente, com o qual poderão ter acesso a mais linhas de crédito, além de terem mais segurança para desempenhar a atividade, que é geradora de tantos empregos”, sublinha Alyson.

O vereador esclarece, no entanto, que caso a proposta seja aprovada, nem todos os estabelecimentos serão tombados. “O projeto ainda será debatido com outros vereadores, passará pela análise de comissões e iremos – isso ainda não foi feito – buscar a construção de uma agenda com Iphan para elaboração de critérios para moldar os tombamentos”.

Resistência

Para o presidente do Sindicato dos Proprietários de Pit-Dog (Sindpit-Dog), Ademilson Godoy, a iniciativa é um reconhecimento à resistência desses estabelecimentos na metrópole. Ele se refere, a lista da prefeitura que previa demolição de 35 estabelecimentos na Capital. Um Pit-Dog no Setor Marista chegou a ser removido forçadamente em fevereiro deste ano. A demolição causou a revolta da categoria, que conseguiu suspender, parcialmente, a execução.

Presidente afirma que categoria celebra iniciativa de vereadores (Foto: reprodução)

“Nosso funcionamento é constantemente ameaçado pela falta de uma legislação específica que regulamente a atividade. O tombamento é uma possibilidade que irá promover a padronização das sanduicherias e também a inclusão dos lanches na gastronomia nacional. Com isso, ainda teremos acesso a linhas federais de crédito para investimento nos negócios”, expõe.

Segundo ele, que trabalha no ramo há 25 anos, a última ameaça à atividade foi suspensa pela Prefeitura após diálogo da entidade com Íris Rezende. “Não queremos atrapalhar a cidade, queremos melhorá-la. Estamos apurando quais unidades terão que ser transferidas de local, outras que devem passar por reforma, para que estejamos dentro dos padrões estabelecidos pelo Paço e também para dar mais qualidade de atendimento aos clientes”.

Otimismo

O proprietário de Pit-Dog Walter Rodrigues (65) também recebe a proposta com bons olhos, embora não deixe de destacar as dificuldades enfrentadas pela categoria no passado. Ele, que ingressou a atividade ainda em 1974, no estabelecimento Bibijoy, na Praça do Avião, revela um pouco dos desafios vencidos pelos pioneiros na atividade nesses mais de 40 anos de trabalho.

“Quando a gente começou não foi fácil. Não tínhamos água encanada e nem esgoto. A água era mantida em baldes e galões. Foi muito sufocante. Hoje melhorou muito, mas esse reconhecimento tá é meio atrasado. Dependemos de muita coisa da prefeitura, então muita coisa, como a regularização, fica amarrada lá”, observa.

Segundo ele, Pit-Dogs colaboram não apenas com a gastronomia da Capital, mas também com a empregabilidade e segurança da população. “Geramos muitos empregos  e qualquer pracinha que você passa à noite, onde tem um Pit-Dog funcionando,  está movimentada e bem iluminada. Ainda temos muitos desafios, mas devagarinho a gente vai lutando e conquistando”, vislumbra.